A vida nos proporciona coisas que eram inimagináveis quando começamos a trilhar nossos caminhos por este mundo. Nasci numa família de lavradores, pai e mãe com menos do que hoje chamamos de educação básica.
Na minha infância e juventude museu era sinônimo de algo totalmente fora de alcance. A primeira vez que entrei num foi no museu da inconfidência, em Ouro Preto, ainda como estudante do ensino básico, em excursão da escola; na mesma época conheci o Museu de Mineralogia de Minas Gerais, hoje Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães.
Fiquei encantado com museus e passei, sempre que podia, a ler e compreender o propósito de cada um deles. Tive uma singela formação técnica em desenho artístico e comercial, trabalhei como desenhista e isso ajudou a despertar interesse especial por todo tipo de pintura, escultura, foto e artes visuais correlatas.
Dos 16 aos 18 anos, durante minha formação técnico-militar em Guaratinguetá, convivi com uma tia que morava próximo cujo esposo era leitor e colecionador da revista Seleções de Reader's Digest; passava quase todos os finais de semana em sua casa e, literalmente, devora estas revistas: conheci o Louvre, o Prado, o Moma, a Pinacoteca, o Masp, só para citar poucos, em suas páginas; imagina como seriam os corredores, as obras expostas, os quadros de meus artistas favoritos, egiptologia, pré-história: ficava paralisado vendo as fotos.
Mais velho, tive oportunidade de visitar vários museus em minhas andanças e, atualmente, sempre que viajo os museus são itens essenciais de meu roteiro. Ciência, artes, história – tudo tem o seu encanto.
Quando surgiu, em 2024 a oportunidade de ter uma de minhas fotos expostas no Museu de Arte de Brasília não pensei duas vezes: revirei meu acervo de fotos buscando aquelas que mais me tocavam pois não deixaria de participar, ainda que com uma única ave. Da pré-seleção de umas 300, elegi uma família de corujas buraqueiras e um tico-tico-de-bico-amarelo, que foram selecionadas.
Agora, em 2025, tive a felicidade de poder participar mais uma vez.
Ter minhas singelas fotos expostas no Museu de Arte de Brasília me dá um orgulho que não consigo explicar. Mais do que ter conseguido conhecer museus, o meu singelo hobby acabou me alçando à condição de expositor. E este orgulho se torna ainda mais significativo ao consideramos a qualidade dos trabalhos apresentados pelos demais colegas: uma seleção de fotos que nos envaidece por pertencemos a este seleto grupo de observadores de aves.
Avisei para amigos sobre a exposição, levei a família.
As fotos expostas estarão permanentemente em alguma parede de minha casa eternizando este momento ímpar. Um dia, um de meus netinhos poderá se orgulhar de saber que o vovô expôs suas fotos num museu de arte.
Agradeço ao Observaves por esta oportunidade.