segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Passarinhada em Rondônia: uma experiência INESQUECÍVEL

Passarinhada em Rondônia: uma experiência INESQUECÍVEL

Antes de relatar a mais recente aventura do OBSERVAVES, no mês de julho de 2026, a atenção vai para o que significa passarinhar em Rondônia.  Porto Velho, por meio da Lei Municipal nº 3.363/2025, foi reconhecida como a capital do Turismo de Observação de Aves do Brasil, e de acordo com a Amazon Birdwatching, foram registradas mais de 700 espécies de aves nesta região. Partindo dessa informação, essa crônica vem cheia de experiências, belas fotos, fortalecimento de amizades e lembranças... muitas lembranças.

O grupo veio chegando aos poucos e de diferentes lugares. O cansaço causado pelos horários dos voos de madrugada não foi suficiente para diminuir a empolgação no primeiro dia, porque, é claro, a expectativa de estar naquela região era surreal.

Autor: João Rios

Tudo começava sempre às 6h...com café da manhã corrido para não se perder nem um minuto da manhã que esquentava muito nas primeiras horas do dia.

Chegando nos locais, as posturas eram as mesmas. Ouvidos atentos. Câmeras apontadas para o alto. O espetáculo iniciava. Antes mesmo do sol apertar, a floresta despertava como se cada ave tivesse recebido um convite para um grande festival de música. A sinfonia era única, mas o destaque indiscutivelmente ficou para o som majestoso dos CRICRIÓS, dominante na floresta densa. “Acho que eu nunca mais vou esquecer esse cenário.” Os psitacídeos passavam fazendo mais barulho que motocicleta sem escapamento. As araras e araçaris cruzavam o céu como se soubessem que todos estavam esperando por elas.

Autor: Hérycka

Autor: Hérycka

 Autor: Hérycka

Autor: Hérycka

E então aparecia aquele passarinho minúsculo, escondido atrás de cinquenta folhas.

Alguém dizia baixinho:
— Está ali...

Imediatamente alguém perguntava:
— Onde?

O dedo apontava.

— Do lado daquele galho.

— Que galho?

— O torto.

— Tem uns trezentos galhos tortos!

E o guia falava...ali....sentado...

Quando finalmente todos encontravam a ave... ela voava.

Silêncio absoluto.

Depois de alguns segundos, alguém quebrava o clima:
— Pelo menos vimos, né, sem registrar nada. Essa foi a realidade em vários momentos diante da majestosa Floresta Amazônica.

Cinco minutos depois, alguém falava...olhem...olhem...ali naquela copa, mas era só um “SABIÁ-FOLHA”. Ninguém se abalava. Fazia parte da aventura. A frustração na verdade não existia porque logo em seguida, os olhos iam ao encontro de uma nova surpresa.

No fim da manhã, quando o calor amazônico já começava a lembrar quem manda em Rondônia, o grupo retornava para Porto Velho. As botas cobertas de barro, as roupas suadas, os cartões de memória cheios e o assunto durante toda a viagem era sempre o mesmo:

— Vocês viram?

— Qual deles?

— Aquele que só você não viu?

Todos riam.


Autor: Hérycka

E essa talvez seja a maior riqueza de uma passarinhada em Rondônia. As aves eram a razão da viagem, mas as histórias, as brincadeiras e os amigos que dividiram as experiências, acabaram sendo as lembranças que permanecerão por muito tempo.

Porque, no fundo, passarinhar por lugares como a Ponte do BOPE, a C01 (estradas rurais conhecidas como "Linhas C1"), Ramal Maravilha, o Parque Natural de Porto Velho e até no Sítio do Raul, em Canutama no Amazonas e tantos outros cantinhos da floresta é colecionar encontros: alguns com espécies raras, outros com vários lifers mas com pessoas que conseguiram transformar uma simples manhã de observação em uma aventura digna de ser contada muitas e muitas vezes.

Tivemos o privilégio de alguns blinds para aqueles mais ariscos. Assim um simples movimento entre as folhas fazia todos prenderem a respiração. Depois de alguns segundos, minutos... de expectativa, surgia uma ave que parecia ter sido pintada à mão pela própria floresta. Ninguém dizia nada. Bastaram alguns olhares e sorrisos para entender que certos encontros dispensavam qualquer comentário.

 

Autor: Márcia Wolf


Autor: Raul Pommer
 

Enquanto se caminhava, a mata revelava outros moradores. Borboletas que atravessavam a trilha como pequenas palhetas de cores. Pequeninos insetos com sua anatomia singular. Tudo parecia conspirar para lembrar que a Amazônia não é apenas um lugar; é um paraíso que luta arduamente para sobreviver.







Autor: Márcia Wolf


Autor: Márcia Wolf

A sorte acompanha os audazes e a “corujada” ocorreu ao som noturno da floresta com os esturros de onças, o coaxar dos sapos e os cri-cris dos grilos. Ficamos à procura das aves de hábitos noturnos, mas como não vencemos todas, as corujas não deram o seu ar da graça, entretanto, fomos compensados pelos imponentes urutaus comum e de asa branca.

urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) 
Autor: Márcia Wolf

urutau (Nyctibius griseus)
Autor: Márcia Wolf



Autor: Márcia Wolf











E quem pensa que passarinhada é só passarinhar está muito enganado. Passarinhar é comer um rodízio de peixes, é uma prosa das boas com o seu João e no final do dia uma cervejada com aqueles que ainda tinham disposição.





Durante todas as manhãs, por uma semana, trilhamos o caminho sugerido pelo nosso maravilhoso guia, Raul Pommer, registrando mais de 120 diferentes aves. Para uns 120 lifers, para outros, um pouco menos, mas sem dúvida uma das maiores experiências da vida de todos nós. E que venha OBSERVAVES 2027, rumo ao Pantanal.

E por fim, eis aí o motivo da nossa viagem, o deslumbre da natureza.... as aves de Rondônia.

 pica-pau-de-barriga-vermelha (Campephilus rubricollis)
Autor: Márcia Wolf
 
macuru-pintado (Northarchus tectus)
Autor: Márcia Wolf

 japu-verde (Psarocolius viridis)
Autor: Márcia Wolf

capitão-de-cinta (Capito dayi)
Autor: Márcia Wolf

anambé-pombo (Gymnoderus foetidus)
Autor: Normando Bona


polícia-inglesa-do-norte (Leistes militaris)
Autor: Normando Bona

cardeal-da-amazônia (Paroaria gularis)
Autor: Normando Bona


gaturamo-do-norte (Euphonia rufiventris)
Autor: Normando Bona

caburé-da-amazônia (Glaucidium hardyi)
Autor: Janaina Simas

anambé-roxo (Xipholena punicea)
Autor: Janaina Simas

rapazinho-estriado-de-rondônia (Nystalus striolatus) 

Autor: Janaina Simas


 

cancão-de-campina (Cyanocorax hafferi)
Autor: Janaina Simas
 

maitaca-de-cabeça-azul (Pionus menstruus)
Autor: João Rios


picapauzinho-dourado (Picumnus aurifrons)
Autor: João Rios

 

poaieiro-de-sobrancelha (Ornithion inerme)
Autor: Paulo Correia Lima

maracanã-do-buriti (Orthopsittaca manilatus)
Autor: Paulo Correia Lima

pipira-de-máscara (Ramphocelus nigrogularis)
Autor: Paulo Correia Lima


rabo-branco-de-bigode (Phaethornis superciliosus)
Autor: Paulo Correia Lima

tinguaçu-ferrugem (Attila cinnamomeus)
Autor: Madalena Castro

curica-de-bochecha-laranja (Pyrilia barrabandi)
Autor: Madalena Castro

saí-amarela (Dacnis flaviventer)
Autor: Madalena Castro

 
ariramba-da-capoeira (Galbula cyanescens)
Autor: Madalena Castro

arapaçu-de-bico-comprido (Galbula cyanescens)
Autor: Werner Bonnet

arapaçu-de-rondônia (Lepidocolaptes fuscicapillus)
Autor: Werner Bonnet
 
pica-pau-amarelo (Celeus flavus)
Autor: Werner Bonnet

araçari-mulato (Pteroglossus beauharnaesii)
Autor: Werner Bonnet

cigarrinha-do-campo (Ammodramus aurifrons)
Autor: Hérycka

Texto: Márcia Wolff





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