quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vamos passarinhar 2026 - FLONA

PASSARINHADA FLONA - 25/01/2026

Já estava tudo certo para o nosso encontro mensal. O local era um presente para mim devido à
proximidade com a minha casa — algo perto de 6,5 km da sede. Era quase como o meu quintal que, por sinal, outrora foi praticamente isso mesmo. Já conto os detalhes…

Mas o excesso de confiança às vezes pode ser algo traiçoeiro. Pois bem: acabei subestimando essa
pequena distância e consegui chegar um pouco atrasado. Aliás, bem atrasado! Afinal, trinta minutos é
muito tempo para quem vai passarinhar, não é mesmo? (risos).

Após estacionar e pegar o equipamento fotográfico, dei mais uma conferida nas mensagens do grupo e
vi que a Vanessa havia postado a localização em tempo real e algumas fotos do caminho. Para a minha
surpresa, o localizador não funcionou como deveria. Por sorte, um dos guardas-florestais me
perguntou se eu era do grupo de fotógrafos e me deu a direção inicial. Mesmo assim, eu me senti um
pouco dentro da história de João e Maria, tendo que seguir os rastros deixados pela turma. Claro que
estou exagerando, mas preciso valorizar um pouco esta pequena jornada!

Autor: João Mello
Desci reto na encruzilhada principal, logo após o Centro de Visitantes. Já no início do trecho, avistei de longe uma Seriema atravessando para o lado direito da trilha, além da agitação do passaredo que parecia me cortejar pelo caminho. Mais ou menos na metade da via, tomei um susto com o movimento brusco da Seriema a apenas 2 metros de mim — aquela mesma que eu tinha avistado mais acima.  


Autor: João Mello



Ela estava tão serena 
e bela que precisei parar para fazer alguns registros. Logo ao lado, um outro camaradinha já bem tarimbado ali do local, inspirador da música Ticotico no Fubá, veio pelo chão vermelho na minha direção, o que obviamente rendeu mais cliques. 

Autor: João Mello












Autor: João Mello
 








Neste momento, percebi que no fim da estrada estavam duas figuras queridas e conhecidas: os companheiros Nonato e Rodrigo Conte, que haviam ficado um pouco para trás para me aguardar. É nessa hora que a gente percebe que o espírito solidário fala alto nessa confraria!








Seguimos adiante rumo ao Córrego dos Currais, 
Autor: Silvio Wolf
conforme a orientação passada no grupo. O caminho era íngreme e escorregadio, feito de um solo argiloso e umedecido pela proximidade com a água. À medida que eu descia, as lembranças da infância começavam a bater forte: o cheiro da mata, a argila que eu buscava para os trabalhos de artes na escola, os girinos nas sangas, os banhos no antigo córrego que chamávamos de "Barro Preto", os pés de Bacubari (como chamávamos o Bacupari na época), a cabana de um senhor que morava
ali na década de 70 e também a lenda do Zé do Caixote, um ser aterrorizante que vivia de forma
marginal. Foram tantas lembranças vindo à tona que, por alguns momentos, fiquei paralisado olhando ao redor. Caiu um cisco aqui!…

Cabe agora um pouco da história local: A minha casa fica a aproximadamente um quilômetro da parte
mais próxima dessa floresta, e naquela época ainda não existia a Flona como instituição, somente uma
mata fechada bem próxima à BR-070. Ao longo dos anos, a tentativa de grilagem e a chegada de novas
moradias começaram a ameaçar essas glebas e a aumentar o desmatamento. Hoje, apesar da mudança climática agressiva — causada principalmente pelo crescimento demográfico e pelo desrespeito ao meio ambiente, tanto por parte da população quanto pela facilitação da venda de terras públicas para construtoras inescrupulosas —, ainda assim consegui reencontrar um ambiente preservado que me remeteu a um tempo muito valioso e feliz.

Ter visto o Ribeirão Currais, um importante tributário da Bacia do Descoberto, foi uma experiência
muito gratificante. Já tinha ido à Floresta Nacional outras vezes para fazer registros diversos, porém
ainda não havia me aventurado entre as árvores densas por questões de segurança.

Quando voltei à realidade, subi a mata fechada e logo surgiu uma clareira onde vozes amigas
começaram a ecoar. Era a nossa turma, o Observaves. Como de praxe, cada reencontro é uma farra: não 
Autora: Vanessa Oliveira
faltam abraços, cumprimentos e piadas, mesmo que tenhamos nos 

visto no mês anterior. A passarinhada se torna um evento completo
quando a turma é coesa, parceira e respeita a natureza. O restante
do caminho foi de muitos registros, risadas, aprendizado, lanche e
bom papo.

Tivemos que sair um pouco antes devido ao temporal que se
armava, mas tudo foi ótimo, e como bom presságio, o ano se iniciou
com uma passarinhada rápida, porém marcante.

Aos passarinheiros desse dia — Evelin, Geovane, Luiz, Nonato,

Rodrigo, Silvio, Vanessa, Victor e a todos os membros do
Observaves — o meu abraço fraterno!

Texto: João Mello

Lista de avistamentos do dia:

  1. arapaçu-de-cerrado / Lepidocolaptes angustirostris
  2. arara-canindé / Ara ararauna
  3. baiano / Sporophila nigricollis
  4. beija-flor-tesoura / Eupetomena macroura
  5. bem-te-vi / Pitangus sulphuratus
  6. canário-da-terra / Sicalis flaveola
  7. canário-do-mato / Myiothlypis flaveola
  8. carcará / Caracara plancus
  9. chorozinho-de-chapéu-preto / Herpsilochmus atricapillus
  10. coleirinho / Sporophila caerulescens
  11. corruíra / Troglodytes musculus
  12. curicaca / Theristicus caudatus
  13. falcão-de-coleira / Falco femoralis
  14. gralha-do-campo / Cyanocorax cristatellus
  15. joão-de-barro / Furnarius rufus
  16. mariquita / Setophaga pitiayumi
  17. papagaio-verdadeiro / Amazona aestiva
  18. periquito-de-encontro-amarelo / Brotogeris chiriri
  19. periquito-rei / Eupsittula aurea
  20. pica-pau-do-campo / Colaptes campestris
  21. picapauzinho-escamoso / Picumnus albosquamatus
  22. pitiguari / Cyclarhis gujanensis
  23. pomba-asa-branca / Patagioenas picazuro
  24. pula-pula / Basileuterus culicivorus
  25. quero-quero / Vanellus chilensis
  26. risadinha / Camptostoma obsoletum
  27. rolinha-roxa / Columbina talpacoti
  28. saí-azul / Dacnis cayana
  29. saíra-de-papo-preto / Hemithraupis guira
  30. sanhaço-de-fogo / Piranga flava
  31. seriema / Cariama cristata
  32. suiriri / Tyrannus melancholicus
  33. suiriri-cinzento / Suiriri suiriri
  34. tico-tico / Zonotrichia capensis
  35. tico-tico-do-campo / Ammodramus humeralis
  36. tiziu / Volatinia jacarina
  37. urubu-preto / Coragyps atratus

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Confraternização de Natal 2025

No dia 07 de dezembro, já em ritmo de festas, alguns integrantes do OBSERVAVES, a convite dos amigos Luiz Balbino e Evelin, se reuniram na Reserva Biológica da Contagem, em Sobradinho, Brasília - DF. A manhã foi marcada por uma caminhada tranquila e suave, para a exploração de algumas trilhas. Ao longo das matas de galeria e dos trechos de campo rupestre, a riqueza da avifauna se revelou em cores e cantos, sendo possível observar e registrar diversas espécies emblemáticas da região.

A Reserva, criada em 13 de dezembro de 2002, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e em 2010, foi criado o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) da Reserva Biológica da Contagem e do Parque Nacional de Brasília. O destaque dessa reserva fica para a sua importância hídrica e pela proteção de espécies como a do tamanduá-bandeira e o tatu-canastra. No seu interior encontram-se duas das oito captações superficiais que integram o Sistema Sobradinho/Planaltina, o terceiro maior produtor de água do Distrito Federal.


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Reserva_Biol%C3%B3gica_da_Contagem


Pela potencialidade do local, os observadores decidiram se dividir em dois grupos, guiados pelos anfitriões Luiz Balbino e Evelin, a fim de obterem, em um espectro mais abrangente, um maior número de registro fotográficos das aves da região da reserva.

Autor: Ilza Fujiyama

 Autor: Vanessa

Com câmeras fotográficas em punho, os participantes seguiram as trilhas... Nesse passeio foi possível observar essas belezinhas abaixo:

 

periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus) 
Autor: Sylvio Wolff

capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) 
Autor: Normando Bona

 

cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata) 
Autor: Evelin

 

carcará (Caracara plancus) 
Autor: Madalena

chibum (Elaenia chiriquensis) 
Autor: Márcia Wolf

 

tico-tico (Zonotrichia capensis) 
Autor: Márcia Wolf

 

batuqueiro (Saltator atricollis) 
Autor: Normando Bona

pipira-preta fêmea (Tachyphonus rufus) 
Autor: Normando Bona

 

picapauzinho-escamoso (Picumnus albosquamatus
Autor: André Monteiro

 

papa-mosca-do-campo (Culicivora caudacutai
Autor: André Monteiro
periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri
Autor: André Monteiro


bandoleta (Cypsnagra hirundinacea
Autor: Evelin

Os observadores, atentos, registraram não só as belas aves da região, mas imagens interessantes de sua flora e fauna.

 

cobra-de-vidro (Ophiodes fragilis
Autor: Márcia Wolf

 

Pegadas de algum felino 
Autor: Márcia Wolf


abelha-africana 
Autor: Antônio Alves

Tiveram também algumas degustações ao longo do caminho....

 

mangabeira (Hancornia speciosa) 
Autor: Márcia Wolf

bacupari do cerrado (Salacia crassifólia
Autor: Márcia Wolf


Love is in the air com Herycka e João Rios.

Autor: Antônio Alves

 

Qualquer semelhança é mera coincidência....

lagarto-de-muro (Tropidurus torquatus
Autor: Márcia Wolf


 

 

 

 

 

 


O fim da passarinhada não foi o término do encontro. Final de ano, momento de confraternização. Oportunidade de festejar mais um ciclo de atividades do OBSERVAVES em 2025. O local foi a casa dos queridos anfitriões Luiz Balbino e Evelin, que além de terem sido os guias pelas trilhas da reserva, ainda abriram as portas do seu lar para o evento. A reunião foi regada de comidinhas, bebidas, sorteios de brindes e um bingo beneficente, idealizado pelo amigo Antônio Alves, em prol do “Abrigo Arca de Noé”, um local de acolhimento de gatos e cachorros abandonados.

Os anfitriões, Luiz Balbino e Evelin.

Autor: Antônio Alves

 
 
Autor: Antônio Alves

 Teve brincadeira de adivinhar os nomes científicos das aves, realizada por Ilza Fujiyama.


Autor: Antônio Alves








Expressões de quem não acerta um nome científico....

Autor: Antônio Alves







Vencedor, Rodrigo Conte... o expert dos nomes científicos.

Autor: Antônio Alves

 Autor: Antônio Alves









FELIZ NATAL, GALERA; E UM PRÓSPERO 2026 COM MUITO MAIS PASSARINHADAS. 

Texto: Márcia Wolf

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

AVES NO MEU QUINTAL

AVES NO MEU QUINTAL - Por Madalena Castro

Nasci no interior de Goiás e, desde criança, sentia um amor incondicional pelos animais. Mesmo com pouca idade, já brigava e discutia por não aceitar como eram tratados os bichos e pássaros engaiolados, triste situação. Para o meu olhar, as aves, flores e peixes, são os seres vivos mais bonitos deste nosso planeta. Sempre tive o hábito de admirar e sonhava com o dia em que poderia fotografá-los.

Com esse amor pelos animais, vim para o Distrito Federal, onde foi possível cursar o 2º grau, hoje ensino médio e, após, fiz licenciatura em Biologia. Fui professora de Ciências Naturais e, quando me aposentei, pude comprar minha primeira câmera. A partir daí, me tornei uma observadora e fotógrafa de aves, com a primeira postagem no Wikiaves em 2012. Em 2017, passarinhando no Jardim Botânico, encontrei o Observador de aves Carlos Goulart e família, que me apresentou o topetinho-vermelho e me convidou para participar do grupo Observadores de Aves do Planalto Central – Observaves. Conhecer e fazer parte desse grupo fez um grande diferencial na minha observação de aves, aprendi e aprendo até hoje com todos os participantes e com as saídas do grupo para passarinhar nos parques, unidades de conservação e arredores aqui do Distrito Federal.

Desde então, não parei mais, posto pouco, mas estou sempre fotografando por onde vou, desde pardais até araras (minha paixão), inclusive no meu quintal e no condomínio onde moro, assim como nos quintais de vizinhos e de parentes. Hoje, sei que a observação de aves faz parte da minha vida. O meu mestre, que me deu as primeiras dicas, foi o observador de aves Álvaro Araújo, que morava aqui no condomínio e quem fez os primeiros registros dos pássaros que pousavam por aqui, produzindo um livro com algumas espécies.

A arquitetura e paisagismo modernos não contemplam os jardins e quintais com flores e frutas; e isso faz falta para a alimentação dos pássaros, que cada dia vêm perdendo seu habitat natural com a criação das cidades e condomínios, como é o caso aqui do Distrito Federal. Uma forma de ir contra esse movimento é arborizar. Um quintal arborizado pode trazer muitos benefícios, tanto para nós e para o meio ambiente. As árvores ajudam a reduzir a temperatura do ambiente, melhora a qualidade do ar, do habitat para os animais, principalmente para os pássaros.

Tenho o privilégio de morar em casa e ter um pequeno quintal, no qual sempre cultivo plantas ornamentais com flores e árvores frutíferas, os meus comedouros naturais, que são um verdadeiro chamariz para as aves. Em cada época do ano e da planta que dá frutos, aparecem diferentes pássaros, como saíras, sanhaços, cambacicas, canários (estes estão até reproduzindo aqui), corruíras, maracanãs, periquitos, etc. Outro privilégio é morar em um condomínio horizontal: aqui, já registrei e avistei mais de 100 espécies, por todos os lados, estou sempre em contato com os pássaros, vendo ou ouvindo e, dependendo da estação do ano, tem uns que me acordam de manhã, por volta de 04h30.

                Essa conexão com um quintal mais natural, os animais domésticos e pássaros ajudam reduzir o estresse, os dias ficam mais alegres. Aliás, ter animais domésticos e plantas que atraem os pássaros, comedouros naturais, bebedouros, ninhos, foi a maneira que encontrei para ter mais paciência, serenidade, alegria… Dá trabalho ter um quintal arborizado e animais, mas vale a pena. Nada de quintais cimentados ou concretados, plante árvores, inclusive frutíferas que dão flores, faça hortas, plante grama e você vai se surpreender…

Segue algumas fotos de pássaros no quintal que às vezes fotografo. 



















































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