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sábado, 4 de abril de 2026

Expedição em Jandaia - Goiás

De 26 a 29/03/26

Local: Jandaia - GO

Foto: Lutt

A experiência em Jandaia reafirmou o propósito do Observaves de unir ciência, cultura e sensibilidade, mostrando que a observação de aves vai muito além do registro fotográfico: ela conecta pessoas, valoriza territórios e fortalece identidades. 

Em cada trilha percorrida, em cada conversa na praça e em cada olhar atento às aves do cerrado, ficou evidente o cuidado da cidade com sua história e com seu futuro. Jandaia mostrou-se não apenas um destino, mas um encontro — entre natureza e gente, entre saberes e afetos. 

Foto: Jorge Matos






Foto: Jorge Matos


Foto: Lutt









Saímos com cartões de memória cheios, mas, sobretudo, com o coração preenchido pela hospitalidade e pela certeza de que parcerias como essa deixam marcas duradouras. Também não podemos esquecer as histórias como o sumiço do urutau (Nyctibius griseus), a foto do udu-de-coroa-azul (Momotus momota) que não pôde ser feita e certa história que ainda não podemos revelar. 


udu-de-coroa-azul (Momotus momota)
Foto: Jorge Matos


Foto: Gabriel Volker

Em contrapartida Jorge Matos e Gabriel Volker registraram a jacurutu (Bubo virginianus), a maior coruja brasileira. 

jacurutu (Bubo virginianus)
Foto: Jorge Matos

Que venham novos voos, novos registros e o reencontro em outubro, para celebrar novamente a cidade, suas aves e sua gente. 


Foto; Ilza Fujiyama











Foto: Ilza Fujiyama

Foto: Ilza Fujiyama











Foto: Ilza Fujiyama


Foto: Ilza Fujiyama

Deixamos aqui nossos sinceros agradecimentos ao Estevão e esposa Ivonete, os integrantes da quadrilha que é um ícone da cultura local, ao prefeito Danilo Ferreira, ao Secretário de Turismo, Murilo Moura e ao passarinheiro e guia Lutt que cuidou tão bem de todo o grupo. 


Foto: João Rios

Texto: João Rios

Lista de aves neste evento:

  1. Acauã (Herpetotheres cachinnans)
  2. Alma-de-gato (Piaya cayana)
  3. Andorinha-do-campo (Progne tapera)
  4. Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer)
  5. Andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca)
  6. Andorinha-serradora (Stelgidopteryx ruficollis)
  7. Anhuma (Anhima cornuta)
  8. Anu-branco (Guira guira)
  9. Anu-preto (Crotophaga ani)
  10. Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis)
  11. Arapaçu-de-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris)
  12. Arapaçu-de-garganta-amarela (Xiphorhynchus guttatus)
  13. Arapaçu-grande (Dendrocolaptes platyrostris)
  14. Arara-canindé (Ara ararauna)
  15. Ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda)
  16. Avoante (Zenaida auriculata)
  17. Bacurau (Nyctidromus albicollis)
  18. Baiano (Sporophila nigricollis)
  19. Balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola)
  20. Beija-flor-de-garganta-verde (Chionomesa fimbriata)
  21. Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura)
  22. Beija-flor-tesoura-verde (Thalurania furcata)
  23. Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
  24. Benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons)
  25. Bentevizinho-de-asa-ferrugínea (Myiozetetes cayanensis)
  26. Bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens)
  27. Bico-de-lacre (Estrilda astrild)
  28. Bigodinho (Sporophila lineola)
  29. Biguá (Nannopterum brasilianum)
  30. Cabeça-seca (Mycteria americana)
  31. Cabeçudo (Leptopogon amaurocephalus)
  32. Caburé (Glaucidium brasilianum)
  33. Cambacica (Coereba flaveola)
  34. Canário-da-terra (Sicalis flaveola)
  35. Canário-do-mato (Myiothlypis flaveola)
  36. Carcará (Caracara plancus)
  37. Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana)
  38. Carrapateiro (Daptrius chimachima)
  39. Chibum (Elaenia chiriquensis)
  40. Choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens)
  41. Choca-do-planalto (Thamnophilus pelzelni)
  42. Chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons)
  43. Choró-boi (Taraba major)
  44. Codorna-amarela (Nothura maculosa)
  45. Coleirinho (Sporophila caerulescens)
  46. Coró-coró (Mesembrinibis cayennensis)
  47. Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
  48. Curicaca (Theristicus caudatus)
  49. Encontro (Icterus pyrrhopterus)
  50. Falcão-de-coleira (Falco femoralis)
  51. Ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum)
  52. Fim-fim (Euphonia chlorotica)
  53. Freirinha (Arundinicola leucocephala)
  54. Garça-branca-grande (Ardea alba)
  55. Garça-moura (Ardea cocoi)
  56. Garça-vaqueira (Ardea ibis)
  57. Garibaldi (Chrysomus ruficapillus)
  58. Garrinchão-de-barriga-vermelha (Cantorchilus leucotis)
  59. Garrinchão-pai-avô (Pheugopedius genibarbis)
  60. Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea)
  61. Gavião-caracoleiro (Chondrohierax uncinatus)
  62. Gavião-carijó (Rupornis magnirostris)
  63. Gralha-cancã (Cyanocorax cyanopogon)
  64. Gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus)
  65. Graveteiro (Phacellodomus ruber)
  66. Irerê (Dendrocygna viduata)
  67. Jacurutu (Bubo virginianus)
  68. Jaó (Crypturellus undulatus)
  69. Japacanim (Donacobius atricapilla)
  70. João-de-barro (Furnarius rufus)
  71. Juriti-pupu (Leptotila verreauxi)
  72. Lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta)
  73. Maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis)
  74. Maria-cavaleira (Myiarchus ferox)
  75. Maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado (Myiarchus tyrannulus)
  76. Maria-faceira (Syrigma sibilatrix)
  77. Maria-ferrugem (Casiornis rufus)
  78. Marreca-ananaí (Amazonetta brasiliensis)
  79. Marreca-cabocla (Dendrocygna autumnalis)
  80. Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata)
  81. Martim-pescador-pequeno (Chloroceryle americana)
  82. Martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona)
  83. Mutum-de-penacho (Crax fasciolata)
  84. Neinei (Megarynchus pitangua)
  85. Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)
  86. Papa-lagarta-acanelado (Coccyzus melacoryphus)
  87. Pardal (Passer domesticus)
  88. Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi)
  89. Pato-do-mato (Cairina moschata)
  90. Peitica (Empidonomus varius)
  91. Periquitão (Psittacara leucophthalmus)
  92. Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri)
  93. Periquito-rei (Eupsittula aurea)
  94. Petrim (Synallaxis frontalis)
  95. Pica-pau-branco (Melanerpes candidus)
  96. Pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos)
  97. Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris)
  98. Pica-pau-pequeno (Veniliornis passerinus)
  99. Pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros)
  100. Picapauzinho-escamoso (Picumnus albosquamatus)
  101. Pipira-da-taoca (Eucometis penicillata)
  102. Pitiguari (Cyclarhis gujanensis)
  103. Polícia-inglesa-do-sul (Leistes superciliaris)
  104. Pomba-amargosa (Patagioenas plumbea)
  105. Pomba-asa-branca (Patagioenas picazuro)
  106. Pomba-galega (Patagioenas cayennensis)
  107. Pombo-doméstico (Columba livia)
  108. Pula-pula (Basileuterus culicivorus)
  109. Quero-quero (Vanellus chilensis)
  110. Quiriquiri (Falco sparverius)
  111. Rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei)
  112. Risadinha (Camptostoma obsoletum)
  113. Rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata)
  114. Rolinha-roxa (Columbina talpacoti)
  115. Sabiá-barranco (Turdus leucomelas)
  116. Sabiá-do-campo (Mimus saturninus)
  117. Saí-andorinha (Tersina viridis)
  118. Saí-azul (Dacnis cayana)
  119. Saíra-de-papo-preto (Hemithraupis guira)
  120. Sanã-carijó (Mustelirallus albicollis)
  121. Sanhaço-cinzento (Thraupis sayaca)
  122. Sanhaço-do-coqueiro (Thraupis palmarum)
  123. Saracura-três-potes (Aramides cajaneus)
  124. Saracuruçu (Aramides ypecaha)
  125. Seriema (Cariama cristata)
  126. Socó-boi (Tigrisoma lineatum)
  127. Socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax)
  128. Socozinho (Butorides striata)
  129. Suiriri (Tyrannus melancholicus)
  130. Suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa)
  131. Surucuá-variado (Trogon surrucura)
  132. Tapicuru (Phimosus infuscatus)
  133. Tempera-viola (Saltator maximus)
  134. Tico-tico (Zonotrichia capensis)
  135. Tico-tico-de-bico-preto (Arremon taciturnus)
  136. Tico-tico-rei (Coryphospingus cucullatus)
  137. Tiziu (Volatinia jacarina)
  138. Tucanuçu (Ramphastos toco)
  139. Tuim (Forpus xanthopterygius)
  140. Udu-de-coroa-azul (Momotus momota)
  141. Urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)
  142. Urubu-preto (Coragyps atratus)
  143. Urubu-rei (Sarcoramphus papa)
  144. Urutau (Nyctibius griseus)
  145. Xexéu (Cacicus cela)



quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O Observaves e o Programa Criança Para o Bem

Uma tarde de encantamento, natureza e descobertas no Parque Olhos D’Água!



🕊️ Na última sexta-feira, 17/10, nossas crianças participaram de uma vivência especial em comemoração ao Mês das Crianças do Criança Para o Bem, a convite do grupo Observaves DF.

🌿 Durante o passeio, as crianças foram guiadas por um grupo de voluntários apaixonados pela natureza, entre eles, João Rios, Leonardo Mosqueira e outros membros do Observaves DF, que apresentaram o fascinante universo da observação e registro de aves do cerrado. As orientações incluíram técnicas para observar, identificar e respeitar as aves em seu habitat natural, despertando nas crianças a curiosidade e o cuidado com o meio ambiente.



📸 A atividade também contou com a presença de Izaura Cruz, que compartilhou sua obra “Da Janela”, uma coletânea de fotos de aves feitas durante o distanciamento social da pandemia de Covid-19. As crianças ficaram encantadas com as histórias por trás das imagens e inspiraram-se para criar seus próprios registros.


💛 E o resultado não poderia ser mais bonito! As fotos que acompanham este carrossel foram tiradas pelas próprias crianças, que registraram aves como o canário-da-terra, ariramba-de-cauda-ruiva e urutau, entre tantas outras espécies que habitam o cerrado.






























✨ Agradecemos de coração a todos os voluntários do Observaves DF por essa parceria tão especial, pela atenção, paciência e carinho dedicados às nossas crianças. Um momento inesquecível, de aprendizado, convivência e amor pela natureza!


Texto extraído do Instagram #CriançaParaOBem


quarta-feira, 9 de julho de 2025

Luz na Estrada de Terra

Luz na Estrada de Terra: Quando o Bem Encontra o Bem

Como um encontro inesperado transformou a vida de um homem isolado há décadas — e reacendeu em todos nós a chama da solidariedade.

Um encontro ao acaso

Após uma simples passarinhada, dois grupos formados por pessoas do bem cruzaram — e o resultado foi extraordinário. Ali, no meio do cerrado, nasceu uma conexão que mudaria a vida de um homem invisível para a maioria, mas que agora se tornaria símbolo de resistência e dignidade.

Foi assim que conhecemos o Sr. Domingos, um senhor de fala mansa, mãos trêmulas pelo Parkinson e uma história de vida escondida a poucos quilômetros do centro do poder no Brasil.

Invisível a 50 km do Planalto

Foto: Vanessa Oliveira
O Sr. Domingos vive há mais de 60 anos em uma choupana rústica, com fogão a lenha, sem energia elétrica, sem sinal de celular e sem acesso a transporte. Um modo de vida quase pré-histórico — e o mais espantoso: a apenas 50 km do Palácio do Planalto, em Brasília.


Nós o encontramos caminhando lentamente por uma estrada empoeirada, com suas sacolinhas na mão. Demos uma carona. Oito quilômetros depois, chegamos ao seu lar — ou refúgio. Um lugar tão simples quanto digno, mas extremamente carente.



Algo dentro da gente muda 

Ao voltarmos, comentei com o Andrade: — Você conseguiria seguir a vida como se nada tivesse acontecido?

A resposta foi imediata: — Impossível, Léo!

Naquela noite, compartilhei a história com o grupo Observaves. Em questão de minutos, mensagens de apoio começaram a chegar. Vários amigos queriam ajudar. E ajudaram.

A primeira resposta: ação

Na semana seguinte, organizamos uma visita. Levamos alimentos, um fogão, gás, colchão e roupas. Mas sabíamos que era só o começo.

Queríamos resolver também o problema do acesso à água. Foi então que a Vanessa mencionou algo chamado Pisco de Luz: — Uma ONG que leva luz a lugares remotos, ela disse.

Imagem da internet

Curiosos e esperançosos, fizemos nosso primeiro contato. Poucos dias depois, estávamos novamente com o Sr. Domingos, dessa vez acompanhados por Sérgio e Sheila, da Pisco de Luz.

Eles levaram uma lanterna solar recarregável e, após avaliar o local, definiram o equipamento que será instalado já na próxima semana: um kit com placa solar capaz de iluminar a casa e seus arredores.


Próximos passos

Nosso sonho agora vai além. Planejamos instalar uma bomba hidráulica movida a energia solar, filtros e reservatórios de água. Passo a passo, vamos construindo dignidade com ações — e com o coração.

O que três semanas podem fazer?

Três semanas. Esse foi o tempo necessário para que a empatia se transformasse em ação concreta.

A história do Sr. Domingos ainda não terminou — e esperamos que ela siga inspirando. Mas mesmo que acabasse hoje, já teria cumprido sua missão: levar luz, dignidade e esperança a um homem que, até então, vivia esquecido num mundo que o progresso deixou para trás.

" Porque quando o bem se encontra com o bem, o impossível deixa de existir!"                                                (autor desconhecido)

(texto e fotos: Leonardo Mosqueira)

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Projeto "Meu Cerrado de Asas e Flores"

Projeto "Meu Cerrado de Asas e Flores" / Coordenador Francisco Valdevino Bezerra Neto

“Eu via, queria ver, antes de dar à casca, um pássaro voando sem movimento, o chão fresco remexido pela fossura duma anta, o cabecear das árvores, o riso do ar e o fogo feito duma arara.” Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular - arara-vermelha - Nome científico - Ara chloropterus

Sou professor no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais – Campus Arinos. Durante as férias de janeiro de 2021, por causa da pandemia, foi a primeira vez que não pude viajar. A angústia de quase uma ano dentro de casa me fez buscar uma atividade alternativa para ocupar o tempo, foi assim que comecei a observar e fotografar pássaros e flores na rua da minha casa.

Essa prática me proporcionou tanta qualidade de vida que decidi criar um projeto de extensão que chamei de "Meu Cerrado de Asas e Flores". Nele, eu registro e incentivo a observação e a preservação da biodiversidade do bioma do Cerrado.

“...e assim espiou esquecido tempo, espiava as paradas distâncias, feito um gavião querendo partir em vóo...” Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular - falcão-de-coleira - Nome científico - Falco femoralis

Em resposta a uma sugestão de amigos, criei um perfil no Instagram ( @passarinheiro_do_urucuia)  para compartilhar um pouco do novo mundo que descobri.

Compreendo que, para além da contemplação da natureza, é essencial que a comunidade conheça sua diversidade, e é dessa forma que o projeto busca atuar como uma ponte, promovendo a socialização do conhecimento sobre as riquezas do nosso Cerrado, além de despertar o interesse pela pesquisa e pela preservação ambiental na comunidade.

"Os passarinhos são assim de propósito: bonitos não sendo da gente." Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular -  ariramba-de-cauda-ruiva - Nome científico - Galbula ruficauda

O lugar onde vivo é especial, é o Sertão  de Guimarães Rosa. Observar esse território é, de certa forma, mergulhar na poética e na complexidade do "Grande Sertão: Veredas". A paisagem, os rios, os pássaros e a própria alma sertaneja descritas na obra não são apenas um cenário, mas parte de um universo vivo que pulsa entre o real e o mítico. Assim como Riobaldo percorre os sertões em sua travessia, cada observador de aves, ao explorar os campos e matas, também se permite descobrir novos mundos – dentro e fora de si.

A leitura de Guimarães Rosa amplia o olhar para as sutilezas do Cerrado, ensinando-nos a perceber sua riqueza não apenas com os olhos, mas com a sensibilidade. Convido, portanto, todos a se aventurarem tanto na observação da biodiversidade quanto na leitura de livros que nos aproximam de nossa sociobiodiversidade. Afinal, compreender o Cerrado é também compreender as histórias que dele nascem.

Que tal começar essa jornada? Pegue um livro, olhe para o céu e descubra quantos sertões cabem no seu olhar.

“Eu via, queria ver, antes de dar à casca, um pássaro voando sem movimento, o chão fresco remexido pela fossura duma anta, o cabecear das árvores, o riso do ar e o fogo feito duma arara.” Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular- arara-canindé - Nome científico -  Ara ararauna


“Aviavam vir os periquitos, com o canto-clim.” Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular - periquito-da-caatinga - Nome científico: Eupsittula cactorum



“Turvei, tanto. ― Andorinha que vem e que vai, quer é ir bem pousar nas duas torres da matriz de Carinhanha...” Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa.
Nome popular -  andorinha-do-rio Nome científico - Tachycineta albiventer

(texto e fotos: Francisco Bezerra)

segunda-feira, 17 de março de 2025

Sobre pássaros e museus

        A vida nos proporciona coisas que eram inimagináveis quando começamos a trilhar nossos caminhos por este mundo. Nasci numa família de lavradores, pai e mãe com menos do que hoje chamamos de educação básica.

        Na minha infância e juventude museu era sinônimo de algo totalmente fora de alcance. A primeira vez que entrei num foi no museu da inconfidência, em Ouro Preto, ainda como estudante do ensino básico, em excursão da escola; na mesma época conheci o Museu de Mineralogia de Minas Gerais, hoje Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães.

        Fiquei encantado com museus e passei, sempre que podia, a ler e compreender o propósito de cada um deles. Tive uma singela formação técnica em desenho artístico e comercial, trabalhei como desenhista e isso ajudou a despertar interesse especial por todo tipo de pintura, escultura, foto e artes visuais correlatas.

        Dos 16 aos 18 anos, durante minha formação técnico-militar em Guaratinguetá, convivi com uma tia que morava próximo cujo esposo era leitor e colecionador da revista Seleções de Reader's Digest; passava quase todos os finais de semana em sua casa e, literalmente, devora estas revistas: conheci o Louvre, o Prado, o Moma, a Pinacoteca, o Masp, só para citar poucos, em suas páginas; imagina como seriam os corredores, as obras expostas, os quadros de meus artistas favoritos, egiptologia, pré-história: ficava paralisado vendo as fotos.

        Mais velho, tive oportunidade de visitar vários museus em minhas andanças e, atualmente, sempre que viajo os museus são itens essenciais de meu roteiro. Ciência, artes, história – tudo tem o seu encanto.

        Quando surgiu, em 2024 a oportunidade de ter uma de minhas fotos expostas no Museu de Arte de Brasília não pensei duas vezes: revirei meu acervo de fotos buscando aquelas que mais me tocavam pois não deixaria de participar, ainda que com uma única ave. Da pré-seleção de umas 300, elegi uma família de corujas buraqueiras e um tico-tico-de-bico-amarelo, que foram selecionadas.

        Agora, em 2025, tive a felicidade de poder participar mais uma vez.

        Ter minhas singelas fotos expostas no Museu de Arte de Brasília me dá um orgulho que não consigo explicar. Mais do que ter conseguido conhecer museus, o meu singelo hobby acabou me alçando à condição de expositor. E este orgulho se torna ainda mais significativo ao consideramos a qualidade dos trabalhos apresentados pelos demais colegas: uma seleção de fotos que nos envaidece por pertencemos a este seleto grupo de observadores de aves.

        Avisei para amigos sobre a exposição, levei a família.

        As fotos expostas estarão permanentemente em alguma parede de minha casa eternizando este momento ímpar. Um dia, um de meus netinhos poderá se orgulhar de saber que o vovô expôs suas fotos num museu de arte.

        Agradeço ao Observaves por esta oportunidade.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Livros Aves Águas Emendadas - Oito Fotógrafos e um destino

Em 2011, 8 observadores de aves, membros do Observaves, idealizaram um projeto de pesquisa fotográfica para registrar e catalogar as aves da Estação Ecológica Águas Emendadas - ESECAE. O projeto foi aprovado junto ao órgão Instituto Brasília Ambiental - IBRAM e foi apelidado pelos observadores de Oito Fotógrafos e um Destino - 8F1, uma alusão ao filme 7 Homens e um destino. Teve duração de um ano e todo o material foi disponibilizado ao IBRAM no final do projeto. 

Em 2018 a ESECAE completou 50 anos. A oportunidade de se divulgar todas as belezas captadas pelas lentes dos fotógrafos apareceu e foi concretizada na forma de um livro ilustrado que conta a história da Unidade de Conservação e ilustra todas as 231 espécies de aves registradas durante o projeto, incluindo as 21 novas espécies que ainda não haviam sido registradas na Unidade. O evento de lançamento, que contou com a presença do presidente do órgão, Sr. Aldo Fernandes, servidores e convidados, ocorreu no dia 19 de Dezembro. Durante a cerimônia de lançamento foram distribuídos mais de cem exemplares autografados para os servidores do órgão.

Tancredo Maia Filho, idealizador e autor do livro, ressaltou em entrevista à Rede Globo a importância de se divulgar e conhecer nosso patrimônio natural, para que possamos melhor protege-lo.  Nesse sentido, o livro Aves Águas Emendadas - Oito fotógrafos e um destino torna-se mais uma importante ferramenta para disseminação do conhecimento sobre as aves do cerrado. A livro não está disponível para venda, mas a versão digital pode ser obtida gratuitamente diretamente pelo site do IBRAM.



   

Os Fotógrafos. Da esquerda, Tancredo Maia, Margi Moss, Bertrando Campos, Roberto Aguiar, Rodrigo D'Alessandro e João Martins

sábado, 27 de janeiro de 2018

Vamos Passarinhar nos Parques do DF - Calendário 2018



A Parceira IBRAM \ OBSERVAVES continua em 2018 reeditando o projeto Vamos Passarinhar no Parques do DF. Visitaremos mais 12 localidades sob o tema aves aquáticas. Dessa forma, foram escolhidos locais que propiciem o registros de espécies de aves que vivem, se alimentam, enfim, que de alguma forma se relacionam com ambientes onde há bastante água (um recurso cada vez mais escasso no DF).

A participação nas saídas é livre. Para os interessados é sugerido solicitar a inscrição (pode ser feita na página principal do blog) no whatsapp do Observaves para acompanhar a programação.

Abaixo o resumo dos locais a serem visitados no calendário 2018.


Calendário Vamos Passarinhar no DF 2018

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Vamos Passarinhar nos Parques do DF ? Calendário 2017

A Parceira IBRAM \ OBSERVAVES inicia 2017 reeditando o projeto Vamos Passarinhar no Parques do DF ? Em sua versão 2017, são mais 12 localidades, em sua maioria parques administrados pelo IBRAM, que serão visitadas ao longo do ano (uma passarinhada por mês) com objetivo de observar e registrar as aves em cada local visitado.

A participação nas saídas é livre. Para os interessados é sugerido solicitar a inscrição (pode ser feita na página principal do blog) no whatsapp do Observaves para acompanhar a programação.

Abaixo as lâminas do calendário 2017 contendo uma breve descrição de cada local a ser visitado.


A visita ao Parque Recreativo do Gama, primeira do calendário virtual 2017, foi muito agradável principalmente devido à beleza cênica do local. Saiba mais



Realizamos em 26/02/2017 a passarinhada do Parque Ambiental Colégio Agrícola de Brasília (PACA-Brasília), seguindo o calendário Vamos Passarinhar nos Parques do DF.  O PACA-Brasília fica localizado em Planaltina-DF. Saiba mais
A terceira saída a campo do calendário Vamos Passarinhar nos Parques do DF foi no Parque Ecológico Canela de Ema. A UC situa-se em Sobradinho-DF, entre Sobradinho II e o Setor de Condomínios. Saiba mais.








A oitava saída à campo do calendário Vamos Passarinhar nos Parques do DF  foi no Parque Ecológico das Copaíbas. A UC situa-se entre a QI 26 e a QI 28, no Lago Sul, Distrito Federal. Saiba mais


O Parque Distrital Salto do Tororó está localizado na região administrativa de Santa Maria, entre as rodovias DF-001 e DF-140. Dista aproximadamente 25km do centro (rodoviária) de Brasília. Saiba mais





Sendo o último encontro oficial de 2017, além da passarinhada promovemos o tradicional varal fotográficoSaiba mais





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