A choca-do-acre, uma serra, um desafio - por Herbert Schubart
 |
| Foto do grupo antes da primeira subida ao Mirante da Serra do Divisor. Na ocasião eu pensava como subir o barranco atrás de mim, logo no início da trilha! Da esquerda para a direita: Ricardo Plácido, Carmen Bays, Rosemary Júlio, Herbert Schubart, Rubens Matsushita, Aurelice Vasconcelos, Francisco Hamada, Tancredo Maia e Hideko Okita. Foto: Argemiro Magalhães (Miro), com a câmera de Tancredo Maia, que produziu o banner onde se encontra esta foto. |
Em outubro de 2017 participei de uma expedição ao Parque Nacional da
Serra do Divisor, no Acre, com o objetivo principal de registrar a
choca-do-acre. Chegar lá é um desafio para qualquer um. No meu caso foi um
duplo desafio, como vou relatar.
A expedição foi organizada por Aurelice Vasconcelos e Rubens Matsushita,
com apoio operacional de Argemiro Magalhães, o Miro, que nos acolheu em sua
agradável pousada, uma casa de ribeirinho, às margens do Rio Moa; e de Josimar,
seu ex-cunhado. O guia ornitológico foi o Ricardo Plácido, que nós
carinhosamente chamávamos de Imperador do Acre, tal o seu conhecimento da
região e sua avifauna.
Participantes:
Carmen Bays, Francisco Hamada, Hideko Okita, Rosemary Júlio, Tancredo Maia e eu,
Herbert Schubart.
Meus primeiros encontros com a Amazônia aconteceram nos anos 60 (Belém, Manaus,
bacia do Rio Negro). Posteriormente, como biólogo, fui pesquisador do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, em Manaus, durante 20 anos. E eu não
era observador de aves! Me dedicava a estudar insetos e ácaros do solo. Andava
olhando para o chão enquanto a passarada fazia a festa na copa das árvores!
Hoje me pergunto o quanto perdi em termos de observação de aves, durante tanto
tempo!
 |
Às 17h40, já escurecendo, após 11 horas subindo o Rio Moa de canoa, surgiu a elevação da Serra do Divisor onde fica o Mirante. Local de ocorrência da choca-do-acre. |
Quanto ao Acre, também, estive lá várias vezes a serviço sem saber o que
estava perdendo! Hoje é como se eu quisesse recuperar o tempo perdido. Sinto
que meu fascínio em registrar uma espécie rara, de ocorrência restrita na
divisa entre Brasil e Peru, descrita há não muito tempo (2004), tem a ver com
esse desejo de recuperar o tempo perdido. Além disso, um dos coautores da
descrição da espécie é meu saudoso amigo David C. Oren (falecido em 07/09/2023;
ele participou do Observaves).
Em 1966, num igapó na confluência do Rio Branco com o Rio Negro, ouvi cantar
um uirapuru-verdadeiro, mas não consegui vê-lo. Até hoje aquele canto mavioso
ecoa na minha mente. Eu era um observador de aves e não sabia! A semente foi
plantada!
Prelúdio em Rio Branco, 2016
Em agosto de 2016 realizou-se em Rio
Branco, na UFAC, uma reunião do Avistar Acre. Eu não pretendia participar e não
me preparei. A poucos dias da abertura do evento o Tancredo Maia, meu amigo, acreano
de Cruzeiro do Sul, me deu notícias sobre a programação, inclusive a presença do
icônico observador de aves Johan Dalgas Frisch. Não tinha como faltar! Comprei
passagens caríssimas, arrumei a mala e fui.
 |
| Paredes
e teto de meu quarto na Pousada do Miro. Não faz calor e é muito ventilado e
acolhedor! |
Essa foi uma das mais proveitosas decisões que já tomei como
passarinheiro! O Parque Zoobotânico da UFAC por si só é muito rico em espécies. Eu
estava desenturmado, por não ter me planejado. Então, o guia ornitológico Adrian
Eisen Rupp veio me transmitir o convite dos passarinheiros catarinenses Sérgio
Berkenbrock e José Luiz Sonagli para eu participar de uma saída com eles na
manhã seguinte. A passarinhada foi no Ramal do Noca, uma estrada de terra cortando tabocais do
Acre.
Lá consegui a façanha de fazer a pior foto do tiê-preto-e-branco entre os primeiros registros da espécie no
Wikiaves. O primeiro registro da espécie no Wikiaves havia sido feito pelo José Luiz
Sonagli, dois dias antes!
Em compensação fiz a melhor foto, até então, do caneleiro-de-cara-amarela – na opinião do Ricardo Plácido. Ainda hoje esta foto está na página de capa da espécie no
Wikiaves.
Logo em seguida ao Avistar Acre, a Aurelice Vasconcelos e o Rubens
Matsushita me encaixaram numa expedição à RESEX do Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. Eis outro lugar
maravilhoso, onde além de novas aves conheci mais pessoas passarinheiras,
algumas das quais participariam da expedição à Serra do Divisor em 2017.

E como foi a
participação de Johan Dalgas Frisch? – Não sei se foi coincidência ou não, mas o Dalgas Frisch estava em Rio
Branco para ser condecorado pelo
governo do Acre em 05/08/2016 com a Ordem da Estrela do Acre, no grau
Comendador, a mais alta honraria do estado, e essa homenagem ocorreu paralelamente
ao Avistar Acre. À noite, com sua medalha no peito, o Dalgas Frisch fez uma
palestra no Avistar Acre sobre décadas de experiência na observação e registros
sonoros das aves. Sua condecoração foi o reconhecimento de seu trabalho
pioneiro na ornitologia brasileira, especialmente sua histórica gravação do
canto do uirapuru-verdadeiro em 09/11/1962, no Seringal Bagaço, a cerca de 50 km
de Rio Branco. Ele foi o primeiro a registrar o canto melodioso dessa ave, e a
gravação se tornou mundialmente conhecida com o seu disco "Vozes da
Amazônia".
Após a palestra, quem se lembrou de levar livros do Dalgas,
como o Tancredo, recebeu autógrafos do autor. Eu esqueci!
Nota: Uma revisão taxonômica publicada em
2016 elevou à categoria de espécies plenas as subespécies do uirapuru-verdadeiro.
Assim, a espécie gravada por Dalgas Frisch no Acre em 1962 é diferente da
espécie que ouvi no extremo sul de Roraima em 1966!
O Acre é top: Serra do Divisor, 2017
Em 21/03/2017 recebi um e-mail de
Rubens Matsushita anunciando a “Observação de Aves no Parque Nacional da
Serra do Divisor e Área de Relevante Interesse Ecológico de Japiim Pentecoste,
de 06 a 15 de outubro de 2017”. Dez dias depois eu estava inscrito no
grupo.
 |
| Embarque na primeira canoa, no porto de Mâncio Lima. Em pé de camisa listrada, o Miro, que pilotou a canoa até sua pousada. 11 horas depois chegaríamos ao destino, no Parque Nacional da Serra do Divisor |
A expedição era muito bem-organizada
pela Aurelice e o Rubens. O alvo principal na Serra do Divisor era a
choca-do-acre, Thamnophilus divisorius. O preço módico do pacote podia
ser pago em seis parcelas mensais, e incluía a pousada com pensão completa na casa
do Miro, e os transportes. Para a Serra do Divisor dois dias seriam usados para
o transporte fluvial de ida e volta entre o porto de Mâncio Lima e a pousada do
Miro, em duas canoas, pelo Rio Moa.
Um item, entretanto, atraiu minha atenção. Ao final da apresentação de
todo o pacote encontrava-se em negrito o seguinte: “Observação: para se
chegar ao local de observação da Choca-do-acre teremos que subir parte de uma
serra, cerca de 800m de distância”.
O que me intrigava nessa observação era por que alertar para uma subida
na serra se a distância era tão curta, de apenas 800 metros!?
Eu estava com 76 anos e desde 2013 vinha sentindo uma dormência nas
pernas e pés, diagnosticada como uma neuropatia periférica, que aprendi a minimizar
usando um bastão de trekking. Eu costumo brincar dizendo que com um bastão de
caminhada eu rejuvenesço 40 anos! Entretanto, o que mais estava me preocupando era
uma leve falta de ar que me acometia durante caminhadas mais intensas.
Questionei o Rubens Matsushita sobre a subida de 800 m na serra. Ele me tranquilizou
dizendo que se tratava de uma trilha inclinada, mas que se subia caminhando
normalmente; não havia escaladas ou coisa parecida. Então: Vamos que vamos!
Em 20/04/2017 paguei a primeira parcela. O grupo tirava dúvidas com os
organizadores via Whatsapp. Para manter a forma física comecei a caprichar nas
caminhadas. Assim a expedição foi se organizando. Em 20 de maio paguei a segunda
parcela.
Porém, havia uma pedra no caminho!
Enquanto “caprichava” nas caminhadas, entre fins de maio e início de
junho, comecei a sentir mais falta de ar em pequenas inclinações do caminho, às
vezes a ponto de precisar parar para me recuperar. Algo estava errado com meu
sistema cardiorrespiratório.
Consulto o mesmo cardiologista há muitos anos e faço check-ups regulares.
Ele me explicou que eu tinha um probleminha na valva aórtica que vinha
progredindo linearmente, mas havia começado a progredir a uma taxa exponencial.
Seria necessária uma intervenção mais agressiva! Ele pegou o telefone e
ligou para um colega cirurgião cardíaco dizendo que estava com um caso urgente.
Então ele escreveu um pedido médico e me deu, junto com o nome, telefone e
endereço do cirurgião e me garantiu que ia dar tudo certo!
Lá no fundo da minha cabeça, no fim da lista de prioridades, ainda
pensei numa certa expedição, numa choca-do-acre, mas percebi que não era o
momento de sequer cogitar em dar um “jeitinho”, encaixar uma viagenzinha antes da
intervenção mais agressiva...
Em nenhum momento considerei a alternativa de sair do grupo, pedir para
interromper os pagamentos etc. Aliás, agendei o pagamento da terceira parcela na
data combinada, que ocorreu quando eu estava na UTI!
A cirurgia para troca da valva aórtica
por uma prótese ocorreu no dia 19/06/2017. Fiquei 10 dias na UTI e mais dois
dias no quarto do hospital. Deu tudo certo!
 |
Subindo o Rio Moa a meio caminho da viagem de 11 horas. Cada volta de um meandro, uma surpresa. Retorno à Amazônia em grande estilo! |
Caprichando nas
caminhadas: novamente!
Nos primeiros 15
dias após ter alta e ir para casa, continuei sendo atendido pelo cirurgião para
ajustar os medicamentos e receber instruções diversas, como por exemplo, me
manter ativo e gradualmente retomar as caminhadas, começando com 10 minutos por
alguns dias, depois 15 minutos, 20 minutos etc., até chegar aos 30 ou 40
minutos diários.
Mesmo antes de
iniciar essa rotina de caminhadas retornei ao cardiologista para acompanhar
minha convalescença. Mais ajustes de medicamentos, controle de pressão, teste disso
e daquilo. Não me lembro bem, mas acho que a essa altura de minha recuperação
eu já conversava com ele sobre meus planos relativos à choca-do-acre. Até
porque a nossa colega passarinheira Roseanne Almeida, que é médica
cardiologista, havia trabalhado com ele e com o cirurgião que me operou, no Hospital
de Base do DF. O assunto das aves não lhe era estranho!
Como meu objetivo era subir 800 m na
serra, comecei a “caprichar” nas caminhadas em ruas com declive mais acentuado,
e sobretudo, para quem conhece, naquela subida do Parque Olhos d’Água, em
Brasíla. Haja descer e subir ladeiras, agora sem aquela falta de ar! Em
24/07/2017 paguei a quarta parcela. Eu continuava me preparando para participar
da expedição.
 |
| No alto da ladeira há duas pessoas, a Carmen e a Aurelice. No fim do verão amazônico acumula-se uma camada espessa de folhas secas no solo, que torna a ladeira escorregadia. |
A posteriori faço esse relato com uma certa leveza, mas o primeiro mês
após a cirurgia foi muito dolorido. Insônia, noites mal dormidas, efeitos
colaterais etc. Eu de fato não tinha nenhuma certeza sobre ir ou não ir à
Serra do Divisor. Subjetivamente achava que minhas chances eram pequenas. E
comunicava isso ao grupo!
Nesse meio-tempo paguei
a quinta parcela. A Aurelice nos enviou um e-mail esclarecendo todas as
questões práticas da expedição, e solicitando os voos com horários de chegada e
partida para planejar a logística de transporte. Eu já havia comprado as
passagens com antecedência e os voos eram os seguintes:
Dia 04/10/2017: IDA – voo Gol, G3-1782, chegando em
CZS no dia 05/10, às 00h08.
Dia 16/10/2017: VOLTA -voo Gol, G3-1799, saindo de
CZS no dia 16/10, às 00h35.
O Rubens criou um
grupo de Whatsapp chamado “Cruzeiro do Sul Birding”. Logo chegou o dia 23/09/2017
e eu paguei a 6ª e última parcela.
Entrementes, as caminhadas estavam fazendo efeito! À medida que
progrediam eu me sentia melhor e mais confiante: e eu ia dando notícias ao
grupo. “Pessoal, tem 60% de chance de eu participar da expedição!”. E a
balança pendia cada vez mais positivamente para a minha participação: 70%...,
80%..., 90%...
Entretanto, faltava um pequeno detalhe!
Eu havia decidido que só viajaria se o cardiologista me liberasse! De verdade! A uns dez dias da viagem marquei
consulta com o cardiologista para avaliar minha condição para a viagem. No dia
da consulta fui informado que ele não poderia me atender, e a consulta foi
remarcada para outro dia. E eis que novamente a situação se repetiu. Finalmente
fui atendido no horário de almoço, no dia da viagem! Após alguns exames e
uma conversa sobre a expedição em que relatei a questão da subida de 800 m na
serra, ele me liberou para a viagem, recomendando, porém, evitar exageros, pois
eu me encontrava ainda em convalescença tardia. Eram 14h00. Voltei para casa, arrumei
a mala e às 21h00 embarquei para Cruzeiro do Sul. Após escalas em Porto Velho e
Rio Branco (onde outros participantes embarcaram), cheguei em Cruzeiro do Sul pouco
depois da meia-noite. Já era dia 05/10.
Da simulação para a vida real!
Até agora eu simulava
subir a serra. Finalmente chegou a hora de subir a serra de verdade!
Nos primeiros quatro dias realizamos passarinhadas
interessantes nos arredores de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, inclusive na ARIE
Japiim-Pentecostes.
 |
| Quetzal-pavão - Pharomachrus pavoninus |
No dia 10/10 o
grupo embarcou em duas canoas de alumínio, cobertas, impulsionadas por motores
de rabeta, para subir o Rio Moa até a pousada do Miro. O rio estava baixo e com
frequência as canoas passavam sobre bancos de areia ou troncos submersos; daí o
uso generalizado dos motores de rabeta na região. Foram 11 horas de viagem subindo o rio,
incluindo parada para lanche. Na volta, foram 9 horas rio abaixo até o porto de
Mâncio Lima.
Na manhã do dia
11/10, finalmente, subimos cerca de 1 km do Rio Moa, da Pousada do Miro até o
início da trilha que leva à área do Mirante da Serra do Divisor, onde ocorre a choca-do-acre. A famosa
subida de 800 m!
Escalar o barranco
de 2 m logo no início da trilha não foi tão difícil como eu pensava. A trilha
em si era uma sucessão de subidas bem íngremes seguidas de trechos menos
inclinados. O que tornava tudo mais cansativo era a camada espessa de
serapilheira (folhas secas caídas no chão) que se acumula sobre o chão da
floresta durante os meses do verão amazônico, quando chove menos! Essa camada de
folhas secas torna as ladeiras muito escorregadias, tanto para subir como para
descer; em muitas situações a melhor maneira de descer é sentado, escorregando
de bumbum!

A ajuda do Rubens
Matsushita, carregando minha câmera e mochila, foi essencial para o meu sucesso,
tanto na subida como na descida (é mais difícil descer ladeiras do que subir). Eu
ficava com as mãos livres para melhor me apoiar no bastão de caminhada ou me
segurar nos caules das arvoretas que crescem no sub-bosque da mata. Também o
Miro ou o Josimar me ajudavam muitas vezes, tanto na serra como em outras
excursões. Meus agradecimentos a todos eles!
Nessa primeira subida (sim, houve
uma segunda!) a choca-do-acre não
apareceu! Ficamos lá em cima espantando abelhinhas lambe-olho e fotografando gafanhoto.
Diante da imprevista ausência da ave, o Miro desceu e foi em casa buscar um
almoço! A choca cantou! Muito longe, mas cantou. Mas não se aproximou! |
| Vocês sabem quando é o melhor almoço do mundo?! |
Antes de escurecer,
descemos a trilha e voltamos para a pousada. O guia, Ricardo Plácido,
estabeleceu que voltaríamos ao Mirante dali a dois dias, em 14/10 (afinal,
registrar a choca era o objetivo principal da expedição). A frustração pela
falta de sucesso faz aumentar a canseira. Eu me sentia exausto e falei para a Carmen
Bays: acho que nunca mais voltarei lá em cima! De verdade mesmo. Era como me
sentia! E ela me disse a mesma coisa (sua queixa era dor nos joelhos).
No dia seguinte, depois de uma
passarinhada pela planície, comecei a me sentir mais animado. E eu brincava com
a turma: “Pessoal, tem 60% de chance de eu subir até o Mirante de novo!”.
E assim, ao longo dos dois dias de “descanso”, minha autoavaliação foi
aumentando para 70%..., 80%..., 90%..., 100%.
 |
| Topázio-de-fogo - Topaza pyra |
No dia 14/10, no
meio da manhã, lá estávamos todos nas canoas, rio acima, para chegar à trilha
do Mirante. O beija-flor topázio-de-fogo esvoaçou na frente da canoa! A subida
da trilha pareceu-me mais fácil. A gente vai se acostumando! E o que é melhor, a
choca-do-acre atendeu aos nossos apelos! Por volta do meio-dia apareceu um macho. Como
a trilha é estreita, os que iam à frente fizeram suas fotos primeiro. O Hamada
e eu estávamos atrás. Mas aí aconteceu que a choca veio até nós. Mas se meteu
numa copa escura, por trás de umas folhagens. O Hamada se abaixou, conseguiu
algumas fotos e me cedeu o lugar. Cuidadosamente, tentei me abaixar, o que é
difícil para mim, ainda mais segurando uma câmera com teleobjetiva! Então,
ajoelhei-me e, como em oração, fiz o tão almejado registro da choca-do-acre no mirante da Serra do Divisor!
 |
| Choca-do-acre - Thamnophilus divisorius |
Depois do êxito
alcançado, subimos até o Mirante propriamente dito para contemplar a ampla
vista que se tem de lá!
Afinal, deu tudo
certo!
Hora de voltar para
casa! O dia da partida amanheceu chovendo, uma chuva gostosa de lavar a alma,
copiosa e tranquila. Uma bênção da Natureza! A água escorria pelas pontas das
palhas da cobertura da casa do Miro formando filetes sinuosos.
 |
| Chuva amazônica, chuva boa! |
Dali a pouco
iríamos descer o Rio Moa durante nove horas nas duas canoas que o Miro e o
Josimar aprontavam com todo cuidado. Que venha a chuva! Mas ela virou um
chuvisco intermitente.
Esse retorno à
Amazônia, o contato com suas matas, a passarada matinal, a voadeira com seu
motor estridente varando os “furos”, isso me fez um grande bem! Depois de
tantas dúvidas, tantas incertezas, as chances de ir ou não ir, me sinto
confortado e agradecido pela amizade e apoio que recebi de todos! Agradecido à
Vida que me tem dado tanto! Deu tudo certo!
~~~
Um
poema na Serra do Divisor
Ricardo
Plácido, 6 de julho de 2025 (Facebook).