domingo, 24 de agosto de 2014

Passarinhada do Mulungu

Aconteceu em 17/08/2014 mais uma passarinhada do Observaves. Denominada entre os amigos como  "Passarinhada do Mulungu", teve por objetivo reunir a comunidade do observadores de aves e interessados para mais uma atividade de observação de aves em grupo. Foi realizada no Jardim Botânico de Brasília, mais precisamente na área próxima ao centro de visitantes, onde algumas árvores conhecidas popularmente pelo nome de Mulungu florescem anualmente no mês de agosto, atraindo uma variedade de espécies de aves e principalmente, beija-flores.

Além da passarinhada, foi realizado um piquenique que possibilitou a confraternização e aproximação entre os participantes, principalmente para os recém-chegados ao grupo. 

NÚMEROS

A passarinhada teve duração aproximada de 3 horas, com a ressalva de que alguns colegas chegaram mais cedo para aproveitar as primeiras horas da manhã e outros continuaram passarinhando após o término do piquenique. Participaram 23 pessoas de um total de 25 esperados. Foram registradas 49 espécies de aves onde a grande maioria dos registros foram feitos na área próxima aos mulungus. 

topetinho-vermelho - Rodrigo D'Alessandro
Destaque, como esperado, para os beija-flores (7 espécies registradas) os quais ficavam em intensa movimentação em torno dos mulungus e árvores próximas. A presença e o avistamento das espécies topetinho-vermelho (Lophornis magnificus), estrelinha-ametista (Calliphlox amethystina)  e bico-reto-azul (Heliomaster furcifer), principalmente dos indivíduos machos, que são mais coloridos e exóticos, confirmou-se e gerou situações engraçadas entre os observadores como no caso do pelotão de fotógrafos se movimentando em vai e vem pelas árvores onde esses indivíduos pousavam brevemente. 
estrelinha-ametista - Rodrigo D'Alessandro

Veja a lista completa dos registros realizados durante a passarinhada no site ebird.

RELATOS

Muito natural após as passarinhadas em grupo é a manifestação do pessoal registrando suas experiências e agradecimentos. Escolhemos alguns desses relatos, com a devida autorização do autor, para transmitir ao leitor um pouco da "atmosfera" que envolve saídas à campo especiais como essa.
bico-reto-azul - Rodrigo D'Alessandro    

"Olá Pessoal (Passarinheiros)
Hoje foi fantástico.
Queria agradecer pelo ótimo acolhimento, recebimento a mim dispensado hoje.
Conhecia  apenas algumas pessoas e saí como se já fizesse parte do grupo a muito tempo. Me senti muito a vontade, ri muito e tirei muitas fotos.
Aliás, queria tirar foto de tudo. A maioria das pessoas querendo registrar beijas flores e eu, tudo o que estava voando.

- Wolf, olha aquele pica-pau. É muito lindo.
- Não Henrique, aquele é um Martin Pescador.
- Um Martin Pescador ??? Mas e aquele Bem-te-Vi. 
- Não, aquele é um Suiriri.
- Margi,  aquele é um Topetinho Vermelho ?
- Não, aquele é um Tesourão.

Aos poucos vou conhecendo. rssss

Eu estava parecendo uma criança num parque de diversão..."
Henrique César


"...foi uma manhã muiiiito gostosa, uma confraternização muito especial, adorei estar com todos num ambiente tão especial.
Acho que esse piquenique do mulungu tem que entrar com data registrada com celebração anual do Observaves..."
Margi Moss


"Prezados passarinheiros,
para mim também foi uma passarinhada especial com um forte caráter de confraternização; oportunidade de rever amigos sumidos, colocar as conversas em dias, informar as novidades, discutir novas atividades. Fico feliz com as perspectivas e as sugestões que começam a aparecer para novas passarinhadas..."
Tancredo Maia


"Olá, amigos do bem!
Obrigada pela manhã maravilhosa.
Estar entre amigos, numa atividade tão prazerosa como a nossa, fez a diferença para o sucesso do pic-nic. Foi uma grande alegria rever velhos companheiros.
O vírus do mulungu nos contagiou a todos. Foi muito bom!
Aos récem-chegados, foi um grande prazer tê-los conosco. O entusiasmo de vocês nos motiva a continuar conquistando novos adeptos. Novas incursões passarinheiras virão..."
Roseanne Almeida 


Pela descontração e satisfação dos amigos que participaram dessa passarinhada com piquenique, certamente a Passarinhada do Mulungu contará com novas edições em anos seguintes. Veja no link abaixo mais fotos da passarinhada pelas lentes do amigo passarinheiro Rui Vasconcelos.

https://picasaweb.google.com/Rui.Vasco.BSB/Jardim_botanico_17ago2014#















sexta-feira, 4 de julho de 2014

Corucão na Praça dos Cristais

Como acontece na maioria das comunidades de observadores de aves, sempre que aparece uma novidade (leia-se aqui um passarinho raro ou incomum para a região proporcionando relativa facilidade de ser encontrado, observado ou fotografado), geralmente ocorre uma mobilização dos passarinheiros para visitar o local onde o emplumado está sendo visto.

Esse comportamento, comum entre os observadores de aves, é visto com ressalvas e gera uma certa polêmica, pois alega-se que dependendo da freqüência de visitação ao local, da forma como é feita e do tipo de interação feito com a ave (excessivo uso de play-back, por exemplo), teme-se que seja prejudicial à própria ave, ou à sua permanência no local, principalmente nos casos quando a mesma é encontrada com ninho ou alimentando filhotes. Um exemplo prático dessa situação\polêmica pode ser visto no comunicado publicado no site wikiaves sobre o prejuízo supostamente causado pelo excesso de visitação e permanência de observadores de aves em áreas de nidificação do cardeal-amarelo. Veja o comunicado em: http://www.wikiaves.com.br/forum/showthread.php?tid=3780&pid=26055

Tendo aqui registrado um lado da controvérsia, passo a descrever e apresentar o outro lado dessa movimentação em torno da novidade. Nesse caso, a "novidade", que está longe de se comparar ao caso do cardeal-amarelo, vem proporcionando boas conversas e situações engraçadas entre os passarinheiros do Observaves.

corucão - Foto de Rogério de Castro
Algum tempo atrás foi registrado um bando de corucões (Chordeiles nacunda) repousando no chão, em  uma praça, conhecida como Praça dos Cristais, localizada no setor militar urbano de Brasília. Quando mencionei o corucão como uma "novidade", foi pelo fato do mesmo ser uma ave relativamente comum em Brasília (clique aqui para saber mais sobre o corucão). Mas o fato de um bando estar sendo observado durante o dia e em local de fácil acesso, foi o que o tornou a "novidade" da vez! Presume-se ainda que boa parte dos corucões registrados em Brasília podem ser migrantes de outras regiões e portanto, não é garantido que fiquem lá por muito tempo.

A Praça dos Cristais não é considerada um local muito atrativo para observação de aves, seja por estar em ambiente urbanizado e com pouca vegetação nativa ou por, consequentemente, não proporcionar o contato com uma grande quantidade de espécies de aves. Há quem possa discordar dessa afirmativa, alegando que mesmo com poucas espécies no local e em sua maioria consideradas "urbanas", é possível também fazer bom registros fotográficos de algumas espécies de beija-flores e de algumas aves aquáticas que são atraídas pelos tanques artificiais da praça.

Área onde os corucões estão sendo observados
Foto de Cida Copriva 

Agora, o interessante de toda essa movimentação, claro, além de ir ao local tentar conferir o corucão, é acompanhar o bate-papo animado da turma, seja demonstrando a alegria de encontrá-lo e fotografá-lo, a "frustração" de passar algumas horas procurando e não conseguir localizar a ave, ou por ter ido duas ou três vezes e ainda não ter conseguido achá-lo e também os incentivos e dicas dos demais colegas sobre onde e como encontrá-lo. Essa possibilidade e oportunidade de relacionar-se, trocar experiências, seja em campo ou no mundo virtual, é um grande estímulo para observadores iniciantes e experientes, e na opinião de quem vos escreve, é assim que deve ser!

Por fim, concluo esse post sugerindo uma reflexão aos leitores e observadores de aves: nossa atividade sem dúvida proporciona momentos únicos de interação com a natureza e em especial, com as aves. Pode trazer ainda outros benefícios como bons relacionamentos e ampliação do círculo social. Em contrapartida, devemos estar atentos ao equilíbrio e buscar o senso crítico para não fazer pesar sobre as aves nossas ansiedades, caprichos e vaidades, sob a pena de estarmos perdendo uma excelente oportunidade de buscar, através da observação de aves, mais um caminho para a preservação de nossa natureza.


corucões - Foto de Herbert Schubart

corucão - Foto de Herbert Schubart

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Corucão

Corucão - Foto de Herbert Schubart
Pertence à família dos bacuraus e curiangos, sendo em tamanho a maior espécie dos bacuraus. Habitante do cerrado, é uma ave de hábitos noturnos. Voa ao entardecer e tem por hábito sobrevoar queimadas à procura de insetos que estão fugindo do fogo. Nas cidades, pode ser visto sobrevoando ambientes sob forte iluminação noturna, como postes de luz, onde presume-se adotar comportamento de caça similar quando em queimadas.

Durante o dia repousam em bando e diretamente no chão, em áreas abertas e com capim baixo. Apesar disso, ficam bem camuflados e são difíceis de se localizar. Quando se sentem ameaçados, normalmente todo o bando alça vôo.

Em Brasília é possível observá-los voando em áreas bem iluminadas durante à noite, como o mastro da bandeira, na esplanada dos ministérios, no aeroporto e até em campos de futebol com iluminação noturna ligada. Recentemente, um pequeno bando tem sido observado com frequência na área da praça dos cristais, no setor militar urbano.

Para saber mais sobre o corucão, confira o(s) link(s) abaixo:
http://www.wikiaves.com.br/corucao

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